Home > Não repetir > Desventuras em série

Desventuras em série


Três Pontas, Minas Gerais. É, meus desejos de relaxar e curtir ar puro na pitoresca cidade do interior de Minas não foram como eu imaginava, na verdade chegou a passar perto por alguns momentos, mas acabei voltando pior do que fui.

Eu gostaria de ter escrito os acontecimento diáriamente, pois seria mais fácil de passar a curva da linha de diversão começando bem e indo ao zero. Mas não pude fazer isso porque não estava com meu note e não tinha paciencia para ir numa lan-house cheia de caipiras.

Apesar desse texto já estar contaminado por conta das minhas desventuras vou tentar ser o mais imparcial possível enquanto conto um pouco do que passou por lá.

1º Dia.

Cheguei na cidade às 4:00 de quinta-feira, depois de uma viagem bem agradável, mesmo o ônibus sendo ruim consegui dormir rasoávelmente bem. Fomos para a casa da minha mãe onde durmimos até 10:00. Acordei, tomei um café da manhã e fiquei esperando a minha avó que ia nos levar para a fazenda.

Chegamos na fazenda lá pelas 12:30 passeamos um pouco, tinha um cavalo com arreio aproveitei para demonstrar os meus dotes rurais dando uma volta no bicho, até a Jodi deu uma voltinha (e se saiu muito bem), depois fomos almoçar uma comidinha feita no fogão de lenha, uma delícia.

Ficamos de bobeira na fazenda durante todo o dia, apenas conversando, tomando uma cerveja, admirando as paisagens, chegamos até a ficar pensando "Será que nós não deveriamos vir mais aqui? Quem sabe ajudar um pouco…", na verdade pensamos com um pouco mais de entusiasmo, mas como eu já disse esse texto está contaminado.

A noite caiu e o frio veio junto, muito frio mesmo. Lá pelas 20:00 fomos tomar uma cerveja na piscina e estava realmente muito frio. O céu estava sem nenhuma nuvem durante o dia todo e não seria diferente de noite, isso não é muito bom sinal, pois quando o tempo fica assim costuma ter geada durante a noite. Na madrugada 2°C, geada.

O andamento das coisas na fazenda tem um ritmo mais lento.

2º Dia.

Frio durante a noite, colchão bem ruim e travesseiros que pareciam folhas de papel sulfite. Como já era de se imaginar não dormi muito bem e os restos da gripe ainda estavam comigo, acabei acordando la pelas 6:00. Fui no curral ver o camarada tirar leite das vacas, andei um pouco pela fazenda sozinho (e com umas 3 blusas de frio grossas).

Realmente não tem como negar é ficar na fazenda passa uma tranquilidade ímpar para quem está lá, é claro que como turista. Depois de vagar pela fazenda durante mais ou menos uma hora voltei para dentro da casa, que antes parecia tão fria, mas agora era um lugar aconchegante e quentinho, durmi mais um pouco.

Acabei não tomando leite quente direto da teta da vaca, mas tomamos um café da manhã muito bom que minha avó fez para nós. Ficamos de bobeira por mais algumas horas, almoçamos e básicamente se repetiram as tarefas do dia anterior, fazer nada… Depois mais um pouquinho de nada.

Agora vem o maior erro que nós poderiamos ter cometido, às 17:00 saímos da fazenda e fomos para a cidade. Chegamos lá fomos tomar uma cerveja num barzinho com um primo meu, depois fomos na casa de um amigo para fazer um esquenta antes de ir para o rodeio, que mantive minha meta e NÃO FUI. Fomos dormir.

3º Dia.

Começou o fim. Durante todo o dia nada para fazer, não suficiente isso perdi 30$. Depois dessa mirabolante perda de dinheiro fomos a um outro barzinho, não, não somos alcoolátras, mas não existe mais nada a fazer lá que não seja ir a um bar.

Já estava com suspeitas de que seria cruel essa ida ao bar, já imaginava que tipo de gente eu iria encontrar, e foi batata. Após alguns minutos agradáveis sendo só eu, a Jodi e meu primo Rodrigo na mesa começaram a chegar outras pessoas.

Quanta futilidade junta em apenas uma mesa. Algumas meninas de uma cidade vizinha chamada Boa Esperança estavam por lá, todas as meninas vestidas iguais (ridiculo), uma delas era modelo e tinha um outdoor com sua foto próximo às mesas do bar, mas um fato curioso é que era um anúncio de uma bota, bota a qual todas as meninas usavam iguais e a foto dela no outdoor estava cortada no meio, ou seja, aparecia apenas metade da menina no anúncio.

Cerveja vai, cerveja vem… E não foi possível ter nenhuma conversa nem próxima de algo que possa se chamar de interessante, quanto mais inteligente. A futilidade das pessoas é incrivel, o único papo que rolava eram coisas como "ontem bebi demais", "você viu não sei o que no meu orkut", "ai que vacaiado" (depois vou traduzir isso), "você vai no rodeio", "fulano pegou ciclano", "você viu a briga ontem?"… E por aí vai.

Será que eu sou um velho de 20 anos de idade? Ou será que realmete esse povo parou no tempo?

Ah! E podemos re-calcular a porcentagem de caipiras. Tinha dito 15% se salvava né? Vamos passar para 0,5%.

Durante a noite perdi o sono e fiquei entre 01:30 até perto das 5:00 andando pela casa. Estava me sentindo o Capitão Gancho quando aquele crocodilo que tem um relógio na barriga se aproxima, pois no corredor da casa tem um relógio que faz tic-tac bem alto, e a cada tic-tac parecia que eu estava chegando mais perto da loucura.

Para ajudar: carrapatos, muitos… Assassinos e sanguinários! A vontade era de me coçar até arrancar a minha alma com a unha.

4º Dia.

Dia de jogo do Brasil. Acordamos e ficamos em casa mesmo. Jogo legal, mas Ronaldo e Adriano já foram melhores hein? Algumas Heinekens para assistir o jogo e uma costelinha de porco feita no fogão a lenha muito boa também.

Depois do jogo ficamos jogando um pouco de cartas, enquanto na cidade o bando de caipiras que lá vivem tinham uma desculpa para poder encher a cara na rua e saírem para a pegação. A paciência para jogar cartas tem limite, depois de umas 4 partidas resolvemos sair para dar uma volta e aproveitamos e compramos cigarros para minha mãe.

Ao passar por uma praça que fica um quarteirão da casa onde estavamos vimos um aglomerado gigande de pessoas, todas de verde e amarelo, mostrando seu patriotismo e nacionalismo (que ferver à flor da pele quando tem Copa, mas que é esquecido nas urnas) festejando a linda vitória do Brasil. Passamos reto.

Fomos andar um pouco para destrair a cabeça. Depois de andarmos, passarmos pela igreja e tirarmos algumas fotos decidimos que era chegado o momento de comprar o cigarro da minha mãe e ir para casa assistir o filme Desventuras em Série (que tinhamos alugado no dia anterio, não poderia ter sido melhor escolhido).

Quando fomos comprar a porcaria do cigarro acabei quase entrando numa briga de graça. Estavamos andando na rua quando derrepente ouço um barulho de vidro se quabrando e estilhaços pequenos voando. Olhei para traz e um cara (grande) passando nervoso, discutindo com uma mulher que andava de mãos dadas com uma criança, quando virei disse algo como "Que isso irmão!?" e o cara já veio alucinado para cima de mim, me deu um soco, desviei, outro, defendi… Ele pegou falou alguma coisa que eu não me lembro e saiu andando novamente com a mulher e com a criança.

Imediatamente peguei meu celular e disquei 190, que piada, chamava e ninguém atendia. Entrei em uma lanchonete em frente (onde todos viram o que aconteceu) e pedi para usar o telefone para chamar a policia, dá para acreditar que não me deixaram usar o telefone!? O pior não é por mim, mas pela mulher e pela criança que poderiam acabar apanhando feio do cara, que, como eu já disse, era grande. Consegui o número do telefone da delegacia local e falei com um soldado sobre o acontecido, espero que tenham pego o cara.

Voltei para casa com o cigarro e todos os dentes. Mais algumas desventuras aconteceram por lá, que nem vale a pena comentar. Voltei para São Paulo no ônibus das 00:20, viajem ruim, não consegui dormir direito.

Conclusão.

Voltei do interior mais cansado e estressado do que quando saí. Estou cheio de picadas de carrapato, gastei dinheiro, dormi mal… Consegui cumprir a minha meta de NÃO IR NO RODEIO, mas infelizmente tenho uma nova meta, um pouco drástica:

Três Pontas, nunca mais. Minha meta é nunca mais por o pé naquela cidade, caso eu tenha que ir lá será minha obrigação passar o mínimo de horas possíveis na cidade, será uma visita estilo G. W. Bush ao Iraque.

Advertisements
Categories: Não repetir
  1. Patrícia R. F. Durante
    June 19, 2006 at 17:20

    Ti!
    Nossa, quanto stress em uma viagem só…rs
    Tem que vir pra ca… é interior também, mas com certeza o papo é mais interessante!
    PS: Adorei o blog.
    Beijos e boa semana!

  1. No trackbacks yet.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: